Dirigido por Jaume Balagueró
Dirigido por Jaume Balagueró

Em um hospital prestes a fechar, uma força maligna impede que pacientes deixem o local.

 

 

 

 

 

O hospital infantil Mercy Falls, que fica na Inglaterra, já era para estar fechado há algum tempo. A transferência dos pacientes foi interrompida, porque um acidente grave nas proximidades, com muitas vítimas, lotou o hospital novo. Oito crianças permanecem no Mercy à espera de leitos.

O turno da noite de qualquer lugar, não deve ser moleza. Um hospital não é tão mórbido quanto um cemitério, ou um necrotério, mas se ele estiver quase vazio, fica fácil se assustar com qualquer barulho. O atraso na mudança de local de trabalho, foi demais para uma das enfermeiras e ela se mandou. Apesar de medo ser uma coisa contagiosa, ela não foi contaminada pelo vírus da imaginação fértil. Quando os ossos de uma criança se quebram na frente de todos, sem uma causa externa, não ver nada é o problema.

fragile 2Para substituir a medrosa, uma americana é contratada às pressas. A enfermeira Amy, na pele da eterna Ally Mcbeal, Calista Flockhart, é uma mulher solitária e misteriosa, que não funciona sem a ajuda de anti-depressivos. Entre as crianças que ficam sob os seus cuidados durante a noite, Maggie é a paciente que desperta o instinto maternal em Amy. A menina é órfã e sua doença é terminal.

Neste período de transição, alguns personagens vem e vão, sem que a gente saiba ao certo a importância deles até o final do filme. Uma personagem no entanto, toma conta do enredo, poluindo o ambiente mesmo antes de aparecer. Toda a tensão que a enfermeira Amy carrega nas costas, dão a ela o segundo lugar para o título de Miss Enxaqueca Mercy Falls. Na primeira colocação, está Charlote, a assombração. Uma lenda no hospital, que depois de décadas de fama moderada, resolveu ficar ousada e violenta, causando pavor nas crianças e apreensão na equipe médica.

fragile (1)Maggie, que deveria ter medo de morrer, não dorme por medo de alguém que só ela vê. Segundo ela, Charlote é a “menina mecânica” que mora no segundo andar do hospital, que está fora de uso desde os anos 50. Apenas uma amiga imaginária a ser ignorada por Amy, até que um paciente precisa sair do hospital por pouco tempo, para realizar exames e quase morre tentando.

O uso do lençol em uma cena, fazem da primeira aparição de Charlote, um clássico conto infantil de terror. O que se segue, para o meu desgosto, é a manifestação de um fantasma super-poderoso, como um furacão, matando gente e destruindo propriedades. Não vou jogar a toalha, porque não se trata de possessão, rituais ou vingança. A motivação deste espírito é um pouco diferente, indo além de se tornar uma espécie de desabrigada, assim que o local que assombra deixar de existir. É uma entidade perversa, que acredita que as crianças lhe pertencem.

Não tem nada de errado com o hospital, não há perigo, até que alguém tenha alta. É um terror tão específico, que poderia cair no drama, se todos resolvessem ceder as vontades de Charlote e se ela não fosse tão assustadora. Em Terror em Mercy Falls, os funcionários descobrem que a menina mecânica é uma ex-paciente, tão ou mais frágil do que suas vítimas em potencial. O diretor nem tenta driblar o tema pesado das doenças das crianças, para fugir da mensagem positiva que o filme acaba proporcionando. Se o rítmo vagaroso, favorece o público casual de terror, o resto de nós ainda tem o prazer da companhia de Amy e de Charlote, duas personagens misteriosas, uma boa e uma terrível, mas com muita coisa em comum.

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