Dirigido por Alejandro Amenábar
Dirigido por Alejandro Amenábar

Trabalhando em um projeto sobre violência na mídia, uma estudante de comunicação encontra uma fita, que mostra o assassinato de outra estudante.

 

 

 

 

Há uns quinze anos, o programa global Intercine (onde o público votava entre dois filmes, para eleger qual seria assistido no dia seguinte), me apresentou ao diretor espanhol Alejandro Amenábar, por meio deste desconhecido filme. Tão desconhecido, que eu estava torcendo para o outro filme ganhar a votação. Este é o primeiro longa do diretor de Mar Adentro e Os Outros. Mesmo sem muita experiência ou dinheiro, Amenábar fez um filme que deixa qualquer um grudado na tela do início ao fim, gostando ou não de terror.

tesis2A tese de Angela, começa com uma pergunta muito simples: Por que a violência nos fascina tanto? Recolhendo material para a sua pesquisa, ela encontra uma fita de vídeo, contendo imagens perturbadoras. Ao invés de chamar a polícia, ela pede ajuda a um colega de classe viciado em filmes violentos, para determinar se o que nem teve coragem de assistir sozinha, é de fato, um snuff. Esta categoria não oficial de filmes, que envolve assassinatos reais em frente às câmeras, é tida como um mito entre cinéfilos, mas o amigo de Angela, vendo que a estrela da fita é uma estudante que desapareceu há anos, elimina a possibilidade de que os dois não tem nada além de maquiagem e ótimos efeitos especiais nas mãos.

Chema é o desleixado e anti-social projeto de serial killer, que acompanha Angela na sua busca pelo assassino da fita. Ele é extremamente grosseiro e seu apartamento é uma espécie de castelo mal-assombrado de um parque de diversões, mas ele é um Watson indispensável nesta investigação clandestina. Seus conhecimentos técnicos de cinema, levam a dupla ao dono de uma câmera de vídeo, cuja namorada era a melhor amiga da desaparecida. O problema é que Bosco, o cinegrafista com uma câmera rara, é muito bonito, rico e cheio de charme para ser considerado um suspeito, pelo menos por Angela, que se encanta por ele, mesmo com medo.

Ao contrário de 8mm, um filme de 1999 que abordou os snuffs com uma certa cautela, Morte ao vivo é mais corajoso ao falar de violência e menos propenso a mostrá-la. Ninguém está a salvo de ter a curiosidade mórbida questionada, inclusive nós, através do ponto de vista de Angela. O modo como a fita foi parar em suas mãos, a derruba do pedestal no qual ela mesmo se colocou, como uma observadora passiva e horrorizada.

TesisO filme é tão cheio de reviravoltas, que somos levados de um lado para outro e enganados o tempo inteiro. Não sabemos quando, ou se Angela está realmente em perigo. Ela entra em pânico quando não há necessidade, mas parece entorpecida, quando deveria estar gritando. Se apaixona por Bosco, que indeciso entre flerte e desconfiança, a deixa tão paranóica, que ela não consegue fugir do constrangimento toda vez que o vê. Chema está certo de que Bosco é o psicopata por trás do vídeo, mas ele é tão recente na vida dela quanto Bosco e não surpreende que ele também tenha os seus segredos. Alimentando uma obsessão nada saudável por Angela, este colecionador de pornografia e filmes violentos não está descartado como suspeito.

Morte ao vivo começa com uma pergunta simples, mas termina respondendo uma derivação dela. O que acontece quando este fascínio trás a violência até nós? No início, quando Angela recebe a fita, estamos loucos para assistí-la. Assim como ela, temos a nossa moral, mas é como passar na frente de um acidente e não conseguir desviar o olhar. Quando a fita está para ser supostamente mostrada na íntegra, nós já sofremos tanto e nos familiarizamos com tantas vítimas em potencial, que aquela violência já não nos interessa mais.

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