Drama profundo. Terror superficial.

A verdade é que Operação Overlord não possui a cambada de zumbis desejada para um filme de terror. Eu queria ver hordas! Alguém tinha me prometido um monte deles e por alguém, eu quero dizer o trailer, mas o filme prefere criar uma forte atmosfera de perigo entre aliados e nazistas, antes que algum corpo reanimado se apresente como uma ameaça maior. Do ponto de vista humano, eu não posso reclamar do fato de que a ficção criada para apimentar uma história sobre a segunda guerra, não teve intenções de superar o terceiro reich como o núcleo de todo o mal da época. Como uma crítica de cinema com ênfase em um gênero específico, no entanto, eu não posso esconder a minha decepção. O elemento principal pra mim, foi negligenciado.

O filme começa no dia da grande invasão americana à França ocupada pelos alemães, durante a Segunda Guerra Mundial. O contra-ataque nazista é intenso e muitas cenas me lembram o belíssimo trabalho técnico de recriação do dia D da série Band Of Brothers, da HBO. Principalmente porque tanto a série quanto o filme retratam o combate do ponto de vista de soldados paraquedistas, com direito à aviões sendo abatidos ou explodindo no ar, enquanto os rapazes saltam em meio à tiros e sem garantia de uma aterrissagem com vida. O avião que estamos acompanhando, está cheio de soldados com a missão primária de derrubar uma torre de transmissão do inimigo, localizada no alto de uma igreja de uma pequena cidade francesa. O desespero dos rapazes é muito realista e o número deles que consegue sobreviver e se reagrupar após o primeiro conflito, também é. Do pelotão inicial, somente uma meia-dúzia sobrevive, incluindo o nosso protagonista molenga, um “veterano” versão júnior para liderar quem sobrou e um repórter de guerra.

OVERLORD 1

Andando pela floresta, ainda abalados com o inferno que foi o início da participação deles na guerra, os soldados continuam encontrando hostilidade pela frente. O filme é cheio de ação no começo mesmo, mas eu temo que isso seja usado para justificar a preguiça que vai ser todo o meio da história. É muita sorte que atrás das linhas inimigas, uma jovem francesa apareça e ela esteja disposta a mostrar o caminho para a igreja, mas não sem antes acolher todos em casa e se comportar como o único membro de uma resistência repentina. É nesta mesma casa, que continuaremos vendo os soldados de autoconfiança infundada pentelhando os mais sensatos. É nesta casa que uma tia doente e misteriosa vai apenas tirar alguns minutos da vida do protagonista, para depois nem ser mais mencionada no filme. É na casa da francesa Chloe, que para a alegria de todos também fala inglês e alemão, que passaremos tanto tempo confraternizando, que o inimigo não verá outra alternativa a não ser fazer uma visita também. É com a presença de um oficial de alta patente alemão, doido e apaixonado, que temos finalmente um pouquinho mais de ação.

Como o cenário da guerra é sempre caótico, alemães matando franceses de maneira aleatória e aparentemente sem motivo ainda é grotesco, mas não é uma atitude inesperada. Chama a atenção que imagens de Jesus crucificado, ou pré-ressurreição se preferir… por causa do tema do filme, estejam em evidência entre os pertences dos moradores, queimando na entrada da cidade. É como se não houvesse espaço na igreja para religião e também chama a atenção que é de lá que a maioria dos corpos seja retirada, com características que não condizem com ferimentos de guerra, por pior que sejam habitualmente. Um rolê solitário de Boyce, nosso soldado molenga, pela igreja transformada em um laboratório e cercada por um quartel improvisado, esclarece que a missão de derrubar a torre, mesmo sendo legítima, ficou ainda mais séria pelo que os alemães estão aprontando cientificamente com os cidadãos. Por incrível que pareça, a boa notícia é que após constatar o fracasso das experiências, os nazistas estão se livrando das cobaias francesas com a ajuda sempre estimada e eficiente de alguns lança-chamas. A má notícia é que os heróis americanos vão praticar o bem, mexendo com o que não entendem.

OVERLORD 2

Todos os momentos de susto no filme, acontecem da melhor maneira possível, ou seja, são feitos para assustar os personagens, não o público. Operação Overlord também tem uma maravilhosa sequência sem cortes, com Boyce escapando de explosões e de uma igreja desabando, que não perde pra nenhum Blockbuster de ação e finaliza muito bem o filme. Apesar de que eu preferiria que ele estivesse fugindo dos poucos zumbis que temos a sorte de ver pelo filme. A cena da transformação de um deles é tão bem feita, que é até triste que ela não tenha sido repetida em grande escala, em um plano aberto, daqueles que apavoram e estimulam, com dezenas (pelo menos) de mortos-vivos fazendo a festa pra cima dos mocinhos. A maioria deles é consciente… olha que oportunidade perdida! É um ótimo filme de guerra, um filme de ação restrito a poucas, mas magníficas cenas e um filme de terror um pouco tímido. Eu aprecio o esforço, mas você não pode provocar um fã de terror com a ideia de zumbis nazistas e fazer a gente esperar o filme inteiro, para ver só um punhado de mortos-vivos, sem o uniformezinhos ainda!

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