Eu gostei dos esquisitíssimos mas imperdíveis Mãe! (Mother!), It Comes At Night e A Ghost Story, mas confesso que não os vejo realmente como filmes de terror. Achei também que as sequências Annabelle 2 – A Criação do Mal (Annabelle: Creation) e Alien – Covenant, foram bem melhores do que seus predecessores, mas eles entram aqui como menções honrosas, assim como The Devil’s Candy, Mayhem e A Cure For Wellness. Eu não consegui assistir O Culto de Chucky, Tragedy Girls, El Secreto de Marrowbone e tantos outros filmes, por causa dos mais variados motivos, com ênfase na falta de acessibilidade que nós de Tupiniquin-Land enfrentamos com qualquer trabalho de arte vindo de fora. Então esteja ciente de que esta lista é um produto aberto. Você com certeza irá me ver aqui em 2018 rasgando a seda sobre vários filmes deste ano e se perguntando: “Se era tão bom, por que não estava na lista de 2017?”.

Por outro lado, a generosidade baixou no Muito Molho e teremos 16 filmes para realizar a nossa contagem regressiva. Como sempre, a seleção traz críticas curtas e serve antes de tudo para você leitor recordar o que passou, concordar, me xingar ou se informar sobre o que você pode ter deixado passar neste ano. Eu só gostaria de mencionar mais uma coisa: muitos filmes estão com 2016 em suas datas oficiais, mas isso é MENTIRA! Eles foram lançados em 2017 e eu não estou falando de lançamento aqui no Brasil não!

 

16 – 47 METROS PRA BAIXO (47 METERS DOWN)

OK 47 METERS

Eu assino qualquer petição para que seja lançado pelo menos um bom filme por ano estrelando tubarões. Como aconteceu com Águas Rasas (que você encontra na lista do ano passado como The Shallows, porque demorou muito tempo para o filme ter um nome em português), este aqui morreu na praia em matéria de divulgação, mas quem curte o gênero se encarregou do boca a boca que fez o filme ser reconhecido como uma boa diversão e ter um pouco de lucro nas bilheterias.

O de 2016 foi melhor, mas 47 Metros também é uma história de (literalmente) tirar o fôlego, sobre duas irmãs de férias no México, que se tornam isca de peixe ao se enfiarem em uma gaiola enferrujada para observar tubarões de perto. É claro que elas não tem experiência com mergulho e é claro que a jaula se solta do barco e justifica o título do filme. Com pouco oxigênio e alguns ferimentos, não há como subir para a superfície, sem chamar a atenção de quase toda a população dos seres mais assustadores dos mares vivendo na America Central.

 

15 – NUNCA DIGA O SEU NOME (THE BYE BYE MAN)

OK BYE BYE MAN

Um vilão com um nome ridículo, mas que não se pode pronunciar. Não se pode nem mesmo pensar nele, porque a lembrança não permite que você escape dele. Pedir ajuda é inútil, porque você não conseguiria nada além de ampliar o raio de alcance da criatura. Mas o verdadeiro poder do Bye Bye Man, na pele do monstro oficial em qualquer filme do Del Toro, o sempre elegante Doug Jones, é que uma vez que se sabe quem ele é, ele vira um coadjuvante e você se torna o seu próprio inimigo. Em momentos o filme lembra Número 23 (The Number 23) com Jim Carey, no modo como mostra uma obsessão sendo formada na cabeça dos personagens, que são apenas jovens estudantes, e esta obsessão sendo combatida sem muita informação sobre como ela se instalou na cabeça para início de conversa. Em outros momentos é O Espelho (Oculus), com um vilão que não precisa correr atrás de ninguém para matar, basta brincar com a mente de quem aprende o seu nome e contar com a necessidade humana de compartilhar experiências, para que este nome seja sempre propagado.

 

14 – A AUTÓPSIA (THE AUTOPSY OF JANE DOE)

OK AUTOPSY

Se um filme este ano teve apenas o objetivo de dar medo e mais nada, foi A Autópsia, do norueguês André Øvredal, que também dirigiu o maravilhoso Trollhunter. Algumas pessoas me perguntam de tempos em tempos, que fascínio é esse meu com o terror, porque aparentemente eu “não faço o tipo” que apreciaria este gênero, com toda a minha “meiguice” e eu não tinha explicação para o surgimento e continuidade deste blog, até ver este filme há muitos meses atrás. Quem é cinéfilo, gosta de filmes bons, mas o público que aprecia terror primordialmente, gosta de ser testado. A Autópsia é um teste para quem já viu de tudo neste gênero e pensa que está imune aos velhos truques.

Passado basicamente em uma casa funerária, onde pai e filho trabalham lado a lado, chega a Joana Ninguém sem um arranhão no corpo, mesmo tendo sido desenterrada do porão de outra casa. Ela está realmente morta, não existem dúvidas, mas a falta de uma causa para a morte leva os legistas a abrir cada pedaço da mulher em busca de respostas. A verdade é que o filme, assim como a morta não fazem tanto sentido, mas isso não importa quando as luzes começam a piscar, o rádio começa a falhar e pai e filho começam a ouvir os outros mortos se levantando. Coisas meigas como unicórnios e arco-íris, não me perguntam qual é o meu limite, se é que você me entende.

 

13 – 1922

OK 1922

Este é apenas um dos trocentos filmes feitos este ano, baseados em livros de Stephen King. Estrelado por Thomas Jane (que sempre se dá bem com terror e com mais nada), o filme conta a história de um homem com os dois pés plantados em uma propriedade rural que não lhe pertence completamente. A esposa quer vender e se mudar para a cidade e legalmente ele não pode fazer nada a respeito, a não ser que ela esteja morta.

Um assassinato em família é uma das coisas mais terríveis que se possa imaginar, e por mais que a torcida esteja inevitavelmente ao lado do chefe da casa, a cena que retrata o crime é para torna-lo imperdoável. Matar a mulher é uma coisa, convencer o filho a ajudar é o que vai fazer com que aos poucos o ato não seja apenas horrível, mas também inútil. 1922 não é sobre azar, já que o perigo de ser pego pela polícia passa longe. É sobre continuar vivendo na impunidade, quando o que foi feito mudou o modo de ver a vida e a si mesmo para sempre. Com ou sem assombração na casa e nas terras tão desejadas, o filme nos faz desprezar cada pedaço da propriedade herdada na base do sangue.

 

12 – THE KILLING OF A SACRED DEER

OK SACRED DEER

Um internauta descreveu como “Felicidade, se tivesse sido dirigido por Stanley Kubrick ou A Escolha de Sofia, se tivesse sido dirigido por Michael Haneke”. Para mim, essa história sobre culpa, justiça e o que cada um de nós considera sagrado, é uma mistura de Cabo do Medo (1991) e Dentes Caninos (2009 – uma obra prima, também dirigida por Yorgos Lanthimos), só que com uma pitada a mais de estranheza. Com uma história que não pode ser prevista, um elenco maravilhoso, com destaque para Barry Keoghan no papel de Martin, o encosto (fiquem de olho nesse rapaz) e uma tensão inacabável, o filme dividiu opiniões e aparece nesta lista como um semi-sobrenatural de fala monotônica, desenrolar surpreendente e desfecho tragicômico.

Na história, Steven é um cardiologista de sucesso, com esposa e filhos, que marca encontros secretos com Martin, um jovem de 16 anos que pela interpretação hipnótica e ladra de cenas de Barry Keoghan, eu o considerei fraco e demorei para levar-lo a sério como o personagem chave do filme. Steven esconde Martin pelo mesmo motivo que o ajuda: culpa! Mas ganhando a confiança do garoto, ele até o leva para a sua casa e o apresenta para a sua família. O problema é quando Martin ganha a confiança de Steven e a coisa mais bizarra acontece. As crianças de Steven perdem a sensação nas pernas, primeiro o menino mais novo, depois a garota. Depois eles param de comer…e nem Steven ou os muitos colegas que ele tem no hospital conseguem descobrir o problema. Apenas Martin pode fazer tudo parar.

 

11 – A BABÁ (THE BABYSITTER)

OK BABYSITTER

 

Better Watch Out já está na lista de Natal da semana passada deste blog, então hoje vamos falar de outra profissional do cuidado infantil, sendo “homenageada” em um filme de terror em 2017.

Era pra ser um dia típico na vida de Cole. Bullying na escola, bullying fora dela e os pais saindo de casa e deixando ele aos cuidados da babá que ele adora. Ele já é grandinho mas tem medo de tudo, então ela ainda é necessária, além do mais, ela é linda, o que faz o menino ser alvo de muita inveja. Amigos desde que Cole era pequeno, ele e a babá já tem todo um ritual para passar a noite, incluindo pizza feita em casa, coreografias complexas e até encenação de filmes… bem na frente do filme que está passando! Mas como sempre, chega uma hora em que o moleque precisa dormir e ele sempre presumiu que Bee, a babá mais legal do mundo, também dormisse logo após ele. Naquela noite, seguindo o conselho de uma amiga, ele resolve ficar acordado para descobrir se ela dorme mesmo. Ela não dorme, porque ela tem mais o que fazer todas as noite, e o menino acaba tendo uma noite dos infernos. Divertido, absurdo e cheio de sangue. Uma delícia!

 

10 – A DARK SONG

OK DARK SONG

Algo muito importante está para acontecer. Muita preparação, muito segredo. A casa gigante e isolada foi alugada por um ano com uma grande soma em dinheiro entregue de uma só vez. Entrevista com o provedor de um serviço específico, onde também é oferecida uma grande soma, que ele recusa. A geladeira e o freezer são abastecidos com comida para meses.  Então Sophia finalmente revela o que é tão importante: ela quer se comunicar com o filho que morreu. Para isso, ela precisa participar de uma cerimônia que requer entre muitas coisas, tempo e privacidade.

Eu adoro filmes com senso de humor, mas A Dark Song me pegou pela ausência dele. No casarão cercado por sal, Sophia e um médium se comprometem a ficar o tempo que for necessário até a criança aparecer. Compromisso é a palavra chave, porque no filme não é um ritual para entreter o público, que é necessário para que o negócio dê certo. É uma série de procedimentos exigentes, maçantes e perigosos que, como fica claro nos avisos do médium, podem ser em vão. O filme é basicamente um tutorial para invocar espíritos, com duas pessoas, um entendedor e um desesperado presos em uma casa, tendo conversas profundas sobre assuntos polêmicos, enquanto colocam as próprias almas em risco por um objetivo. Há êxito no que precisa ser assustador, como há no que precisa ser belo. É a experiência completa e não é necessário acreditar em nada para achar o filme interessante.

 

9 – THE BELKO EXPERIMENT

OK BELKO

 

Este Battle Royale do mundo corporativo, se passa em uma ong na Colômbia, especializada em facilitar negócios entre empresas norte e sul-americanas. Se soa estranho que uma empresa contrate dezenas de pessoas, as leve para um país na America do Sul onde sejam necessárias medidas extraordinárias de segurança, como implantar um chip localizador nos funcionários para evitar sequestros, sendo que nem mesmo haja lucro envolvido… não se preocupe. Os empregados da Companhia Belko também se perguntam coisas como: o que é exatamente o nosso trabalho aqui? Ou, é mesmo necessário que os seguranças do prédio estejam equipados e se comportem como soldados em território hostil? No final do mês, as respostas para estas perguntas são menos relevantes do que estar empregado e com um bom salário.

Em um dia útil qualquer, uma voz ecoa pelos escritório, corredores e elevadores se identificando como um representante do empregador. O prédio será completamente fechado. Ninguém entra ou sai enquanto a experiência estiver em curso. Três membros da equipe, até um certo horário, precisam ser mortos pelos outros funcionários, ou de alguma maneira, as pessoas que estão no comando irão eliminar seis pessoas. Podemos acreditar em uma voz que nem sabemos de quem é? Existe algum modo de romper a blindagem que cerca o prédio? Ou de chegar no topo do prédio para pedir ajuda? Quem entre nós tem o direito de escolher quem vive e quem morre, e quem teria a coragem de cumprir a execução? E enquanto todos pensam na morte da bezerra, seis cabeças explodem. No final do dia, as respostas para aquelas perguntas são menos relevantes do que sair daquele prédio vivo.

 

8 – CREEP 2

OK CREEP 2

Era um personagem que merecia uma sequência e aqui está ele, tão bizarro quanto antes, mas desmotivado. Como se atormentar pessoas inocentes, enquanto captura suas reações em vídeo para os seus filmes caseiros, já não fosse mais uma atividade divertida. Em Creep 1 ele era Josef, mas aqui ele absorve o nome da vítima anterior, Aaron e terá que baixar a guarda e ser o mais honesto possível com Sara, uma videomaker que está mais interessada nele como um objeto de estudo, do que naqueles mil dólares por dia que ele sempre oferece às vítimas. Sara não se assusta fácil e não é encarada como uma vítima, na verdade, ela é tão ambiciosa que chega a manipular e explorar Aaron para ganho pessoal. Nem sempre o psicopata é o vilão da história.

Dirigido por Patrick Brice (o Aaron original e também diretor do primeiro filme) Creep 2 tira sarro o tempo inteiro de tudo o que funcionou no primeiro filme. É muita petulância, mas se o cara consegue fazer melhor, e ele fez, eu não posso reclamar. Enquanto Aaron 2 e Sara tentam realizar um documentário que irá deslanchar a carreira da moça e colocar o doido de volta a ativa, a garota vai aos poucos ficando cada vez mais arrependida de ter aceitado os termos e condições do contrato. O cenário é o mesmo, o personagem continua usando os mesmos truques e ainda assim, não há como prever o que pode acontecer.

 

7 – FRAGMENTADO (SPLIT)

OK SPLIT

Com A Visita, Shyamalan havia nos perguntado se a gente ainda gostava dele. A verdade é que o relacionamento só estava azedo porque ele sempre caminha em cima de uma linha fina, quando cria personagens fantasiosos demais vivendo situações extraordinárias. É muito fácil debandar para o ridículo, ainda mais quando se acredita ser um artista acima de críticas e isso aconteceu mais vezes do que uma carreira poderia suportar. Mas o diretor voltou com força total, com outro desses personagens, mas com um trunfo na manga: James McAvoy!

Interpretando uma porrada de gente, ou apenas um cara com um caso grave de transtorno dissociativo de personalidade, McAvoy brilha como nunca antes, ao ser uma pessoa que comete atos terríveis, depois uma que se choca com o que acabou de fazer, depois uma que quer ajudar suas vítimas, depois uma que se passa por outra personalidade até chegar no monstro que dorme dentro dele. O diretor tinha tanta confiança no material, que até o transformou numa sequência surpresa de outro de seus filmes. Mas eu ainda fico de olho, com um pé no mundo de Shyamalan e outro em terra firme, porque ele continua se enfiando como ator nos seus filmes e nos dizendo que o ego gigante ainda está lá, adormecido.

 

6 – PREDADORES DO AMOR (HOUNDS OF LOVE)

OK HOUNDS OF LOVE

Com belíssimas tomadas em câmera lenta que mostram o cotidiano de pessoas comuns, em contraponto ao horror acontecendo pelas mãos de gente doente bem perto dali, chega à lista este pesado filme australiano, semi-baseado em fatos reais ocorridos nos anos 80.

Um casal em Adelaide (onde mais, né Dexter?) está sequestrando, torturando e matando jovens garotas. Eles mal enterram um corpo e já começam a procurar outra adolescente. A vítima recente é Vicky Maloney e tanta ênfase é dada ao nome da moça e ao histórico dela antes do desaparecimento, que eu fiquei procurando para ver se ela era real. Essa pode não ser uma história sobre uma pessoa específica, mas a verdade é que a sensação de verdade pairando no ar, está tanto nos crimes quanto no relacionamento abusivo entre um maníaco sexual cheio de preferências e a esposa submissa que se convence de que deseja o mesmo que o marido.

Não há a necessidade de mostrar o que realmente acontece com as meninas e por isso eu agradeço, mas eu ainda consigo imaginar e temer pela próxima vítima, somente pelas pistas visuais que a garota anterior deixa na cama e no chão, ao ser levada para a cova. É um ótimo exemplo da substituição do explícito pelo implícito.

 

5 – MELANIE – A ÚLTIMA ESPERANÇA (THE GIRL WITH ALL THE GIFTS)

OK GIRL WITH ALL THE GIFTS

Quando o mundo é devastado por um vírus zumbi, cientistas apostam todas as suas crenças em uma cura que pode estar em um grupo de crianças infectadas, que sem fome e sem sentir o cheiro dos humanos saudáveis, conseguem viver como pessoas normais.

Este não era o Last Of Us versão filme que encomendamos, mas não teria problema se fosse, porque esse filme com uma história vagamente semelhante lançado no comecinho do ano, é tão cheio de tensão, perigo e coração quanto o game lançado em 2013.

A Melanie em questão, é uma gracinha de menina com potencial para salvar o mundo, e com ainda mais potencial para fazê-lo fora os planos dos homens e mulheres no comando. O filme, é uma bela e angustiante viagem pelos medos e esperanças de prisioneiros de uma sociedade em declínio e daqueles que os mantém nestas condições, e é muito interessante ver os papéis de vítima e vilão se alternando no filme. Outra coisa, zumbis pensantes PRECISAM ser a nova tendência para os próximos anos.

 

4 – GERALD’S GAME

OK GERALDS GAME

Uma mulher lembrando a infância, alucinando com o marido morto e aprendendo a se erguer com as próprias pernas e viver a vida de verdade pela primeira vez, enquanto está morrendo, acorrentada a uma cama sem ter como pedir ajuda. Pode não parecer, mas sem deixar a protagonista sair do quarto por um bom tempo, o filme conseguiu provocar todo tipo de reação que um verdadeiro filme de terror precisa causar em suas vítimas, digo, espectadores.

O marido cai duro após um infarto e logo após ter algemado Jessie na cama, deixando a chave fora do alcance, assim como outros seres humanos para resgata-la. Mas sem problemas, ela tem um cachorro faminto como companhia e outro ser, que parece a representação clássica da morte, real ou imaginário. Em uma situação desesperadora, Jessie precisa recordar o que sempre tentou esquecer, se quiser sobreviver. Cenas horripilantes e magnificamente filmadas nesta ótima parceria entre o diretor Mike Flanagan e o escritor Stephen King.

 

3 – RAW

OK RAW

Dizem que existem dois tipos de pessoas, que não conseguem passar muito tempo sem revelar suas crenças para quem estiver por perto: ateus e vegetarianos. Raw é um filme francês que dá uma banana para os ativistas dos direitos do animais e no caminho faz o mesmo com os dos direitos humanos, com uma história focada na necessidade de consumir carne, sem culpa.

Justine é uma caloura na universidade que como a irmã veterana Alexia, está fazendo o sonhado curso de veterinária. Vegetariana religiosa, ela tenta recusar sem sucesso a participação no trote tradicional para os iniciantes, que inclui comer carne crua. Ela até vomita, coitada, mas nos dias que seguem não há brócolis que a satisfaça. Alexia parece saber o que a experiência provocaria na irmã, por ter abandonado o hábito imposto pela mãe das duas há muito tempo. Mas o apoio da mais velha não é bem o que Justine procura. Ela quer estudar em paz e seguir o sonho de ser uma profissional da área, sem desejar mastigar o colega de quarto ou outro que se aproxime dela.

 

2 – IT

OK IT

Não se engane! Este foi o ano de Stephen King. Eu nunca vi tantos de seus trabalhos sendo adaptados para as telonas e telinhas (no caso do Netflix), às vezes de forma infeliz, como no caso de A Torre Negra, mas na maior parte das vezes com muito sucesso, como no caso dos filmes que aparecem nesta lista, com destaque para o segundo lugar. O filme do palhaço era a mais esperada e necessária refilmagem da minissérie de 90 e uma das melhores histórias da biblioteca do mestre do terror literário.

O conto muito cheio de detalhes e personagens, que aparecem em duas gerações, foi sabiamente dividido em duas partes, com a primeira sendo audaciosamente apresentada em um filme bem longo. Com pulso firme, o quase estreante Andy Muschietti (porque Mama foi uma droga, então quase não conta) superou sem problemas o original, nos efeitos, na direção de atores e no modo como escolheu utilizar o tempo com a narrativa. Bill Skarsgård fez um trabalho genial, assim como as crianças, na terrível história do demônio que aparece na cidade pequena a cada vinte e sete anos, para se alimentar dos medos dos mais vulneráveis, até que não sobre mais nada dentro dos pequenos. Pennywise ainda é um dos melhores vilões já criados neste gênero e ver que esta nova adaptação superou minhas expectativas, foi um presente e tanto em 2017.

 

1 – CORRA! (GET OUT)

OK GET OUT

Quem poderia saber que de dentro de um comediante ainda desconhecido do grande público, brotaria um criador competente e corajoso para nos agraciar com o melhor filme de terror deste ano? Jordan Peele se posiciona na vanguarda de uma nova onda de obras, pelas quais eu espero ansiosamente em 2018, que não se desculpa por nada, protesta contrariamente à panfletagem habitual e dá medo, não, apavora, com histórias de crueldade disfarçadas de benefício. É a audácia de um diretor nadando contra a corrente, sem perder o fôlego e melhor, sem achar que está fazendo algo revelador.

No filme, Chris Washington, um talentoso fotógrafo de Nova York está indo para o interior, para conhecer os pais da namorada pela primeira vez. Ele é negro, ela é branca, então o rapaz está um pouco nervoso com o encontro. Acontece que os pais de Rose não são preconceituosos, não no sentido que ele conhece. Eles acham que Chris é um rapaz incrível. Tão incrível, que seria um desperdício se o jovem usasse somente para si mesmo seu físico, seus talentos e sua maravilhosa vida. Assustador, hilário, muito bem atuado, escrito e dirigido. Merecidamente o topo da lista.

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