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Dirigido por Eduardo Sánchez

Recém-casados passeando por um povoado chinês, enfrentam uma terrível tradição local.

Quem diria que a entrada para o inferno estaria localizada na China? Faz sentido, já que todo “artista” tem que ir aonde a maioria do povo está. No filme, as crias do diabo, conhecidas localmente como fantasmas famintos, tem a vantagem de uma abertura na passagem entre o mundo dos mortos e o dos vivos, que acontece durante a lua cheia do sétimo mês lunar, para sair caçando o povo, seja para comer ou para recrutar. A data é uma especificação que somente a cultura chinesa poderia acompanhar com precisão, até honrando o chamado mito com um festival onde os rituais são muito sérios. Também é muito coerente que os principezinhos das trevas escolham um lugar com mais de um bilhão de habitantes para praticar suas necessidades monstruosas sem muito alarde.

Na história, um jovem casal americano vai para a China para curtir a lua de mel, pelas inúmeras atrações culturais do país e para que a noiva conheça a família do noivo. Eles estão sendo levados de um canto pra outro por um guia de turismo particular, que esbanja simpatia e profissionalismo. Depois de um dia agitado na paisagem urbana, o guia/motorista se afasta da cidade grande para levar Yul e Melissa para a pequena vila onde a avó de Yul mora com os parentes que permaneceram na terra de origem, mas o caminho é longo e quando cai a noite, em uma estrada escura e desconhecida o guia se perde. Para a sorte de todos, existe um povoado por perto onde o guia pode pedir informações e ele vai sozinho, não voltando mais.
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A Maldição da Sétima Lua é um filme independente que de tão barato, parece muitas vezes amador. Sem brincadeira, algumas cenas lembram imagens feitas com um celular, mas isso não importa tanto quando o terror dá medo e provoca aquela onda de adrenalina que mantém o público com os olhos grudados na tela, mesmo em momentos enfraquecidos pela falta de recursos. Eu não vou negar que o filme tem problemas. A minha maior reclamação é que muitas cenas são escuras demais para serem apreciadas, ou pelo menos compreendidas. Quando você tem como única referência uma língua dominante, que um dos protagonistas mal entende e que não é traduzida para nós, é um pouco frustrante. Por outro lado, é um modo de fazer com que o público se sinta tão desamparado quanto Yul e Melissa, já que quando o primeiro susto acontece, a tendência é se animar com o andamento da história e se esquecer dos problemas das vítimas. O público de terror é povo malvado!

Depois de uma hora de espera, os pombinhos saem do carro em busca do guia. No povoado eles encontram muitos animais maltratados, residências prontas para serem condenadas pela defesa civil e vozes de mais de um gênero e faixa etária, repetindo uma frase que a princípio parece sem fundamento. É o pesadelo de qualquer viajante, elevado à milésima potência e sem cerimônia eles retornam para o carro, que naquela altura, já mostra marcas bem visíveis de um ritual do qual eles nem sabiam fazer parte. O que se segue é uma avalanche de histeria, lutas, sacrifícios e péssimas decisões que dão a impressão de que este casal que acabou de se unir, está experimentando todos os anos do casamento em apenas uma noite. É no mínimo um filme divertido de assistir.
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É como se A Maldição da Sétima Lua usasse a ideia do filme Purge, onde por um dia o caos é permitido e quem está na rua que se vire, misturada com os elementos sobrenaturais do próprio inferno, e o pior para quem está na rua é que só tem uma rua e só você teve a má sorte de permanecer nela, na pior hora possível. Como em Purge, tem gente que detesta a tradição e tem gente que participa dela com prazer, enquanto os sem-teto temporários rezam pela chegada do sol. É um filme cheio de falhas e de perguntas sem resposta, mas é eletrizante e apavorante. Eduardo Sánchez de A Bruxa de Blair e muitos outros filmes que eu adoro, é um diretor que sabe o que fazer com pouca iluminação e quase nenhum dinheiro.

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