Dirigido por Philip Kaufman
Dirigido por Philip Kaufman

Uma raça alienígena começa a substituir os humanos por clones que não sentem emoções.

O filme original de 1956, usou a invasão alienígena como pano de fundo, em uma história com o objetivo principal de denunciar o perigo do pensamento coletivo, ou em prol do coletivo, defendido pelo comunismo, tão temido na época. É um filme excelente e merece ser conferido. Existe uma versão de 93, que se passa em uma base militar e é bem competente, porque a história sempre foi muito boa, mas não foi um filme com muito destaque fora do v.h.s. ou das madrugadas na tv. A refilmagem mais recente de 2007, com o nome de Invasão e estrelando Nicole Kidman, foi, contrariando a vantagem do lançamento na era moderna, a versão mais água com açúcar de todas. A minha favorita é a que comento neste post, com Donald Sutherland e Leonard Nimoy no elenco. A minha preferência não é apenas porque na minha opinião, os anos 70 foram a era de ouro para o terror, não é um voto cego. Esta é a mais criativa, assustadora, violenta e sem misericórdia versão desta história.

Imagine um mundo sem guerras. Vamos além. Imagine um mundo sem conflitos, nem mesmo entre vizinhos, onde todos vivem em harmonia. As diferenças físicas existem, mas ninguém as enxerga. As diferenças emocionais acabam. Um mundo sem dor, sem injustiça, sem estresse. Seria o ideal, caso a humanidade evoluísse aos poucos para chegar neste ponto. Para alcançá-lo em alguns dias, teríamos que mudar nossos hábitos e pensamentos rapidamente, o que não seria natural, na verdade, seria impossível. A alternativa que já está em andamento quando o filme começa, pela obra de uma raça alienígena que consegue duplicar os nossos corpos, mas nunca as nossas mentes, é substituir todos os indivíduos no planeta por cópias idênticas que pensam em grupo. É como viver uma existência feijão com arroz, sem que ninguém sinta a necessidade de um strogonoff de vez em quando.

Invasion of the Body SnatchersEm cada filme, o método de substituição é diferente. Aqui, flores de uma espécie desconhecida estão surgindo na cidade de São Francisco e para quem não resiste em dar uma cheirada, a contaminação é imediata, mas só se concretiza durante o sono do contaminado. O processo que mostra o clone nascendo da própria flor é meio grosseiro, mas isso não o deixa menos assustador. Da noite para o dia, crianças não fazem mais barulho, maridos realizam os serviços domésticos sem esperar gratidão e a gentileza geral fica aparente para muitos moradores da cidade. Entre eles, podem estar políticos, militares ou cientistas brilhantes, mas o filme tem como heróis um grupo de funcionários da vigilância sanitária, muito mais próximos do homem comum que assiste ao filme. A princípio, eles estranham o comportamento de seus familiares. Logo, todos os desconhecidos que teimam em encará-los nas ruas, nunca julgando, apenas esperando por algo, despertam a sensação de que o mundo não pertence mais aos humanos.

Se você é uma pessoa normal, emoções são inevitáveis. Se você as tem, nota quem não tem. No filme, o inverso também acontece. Os ridiculamente calmos que estão tomando conta de tudo, não aceitarão a paz mundial pela metade, não é uma questão de buscar voluntários, todos devem participar. Para escapar, é recomendável que “a resistência” durma pouco e em turnos, para que ninguém se transforme sem que os outros notem, mas o principal é despertar o lado ator e fingir que não tem emoções, para não ser descoberto. O problema é que se um lado sabe fingir ser alien, o outro lado também consegue fingir ser humano. Em quem confiar?

invasion-of-the-body-snatchers-1978-screenshot-3Além de Nimoy (absolutamente brilhante) e Donald Sutherland (sempre brilhante), o filme tem Jeff Goldblum, tem uma aparição relâmpago de Robert Duval, tem a rainha do grito original, Veronica Cartwright, que fez uma participação especial no remake de 2007 e tem Kevin McCarthy, o protagonista do filme original, ligando assim, os três filmes principais. Agora, o personagem memorável, que fará com que você se lembre do filme para sempre é o cachorro. Não vou falar nada além de… a substituição dele não deu muito certo. Esta cena e a cena final de Invasores de Corpos, são rápidas mas épicas. Não tem nem música durante os créditos finais do filme, para se ter uma idéia da tensão do encerramento.

Com muita calma e muita tristeza alguém diz: “Você está me matando…”, enquanto um alien administra um sonífero sem dar bola para a acusação. Sempre foi um terror diferente, desde a primeira versão, com vilões que acreditam ter um plano de vida bem melhor do que o que temos. A morte é durante o sono, então não deveria ser pavoroso, mas é. Com a substituição, eliminamos os violentos entre nós, os que amam a própria ignorância, mas também eliminamos os mais brilhantes, os que passam pelas piores experiências e saem delas com lições para o resto de nós. O mundo será perfeito, mas quem de nós estará lá para aproveitá-lo?

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