Dirigido por Brad Anderson
Dirigido por Brad Anderson

Uma equipe de limpeza precisa trabalhar em um hospital psiquiátrico desativado há anos. Desativado sim, abandonado, nunca! Os seguranças estão sempre expulsando adolescentes encrenqueiros, moradores de rua e até ex-pacientes que voltam para o prédio, eu acredito, por saudade. Por fora, o hospital é realmente impressionante. Eu nunca tinha visto um estabelecimento deste tipo no cinema, ou na vida real. É um prédio de poucos andares, mas largo para os lados, com alas dispostas a parecerem um morcego, quando o prédio é visto de cima. É claro que temos diversas tomadas aéreas que celebram o tamanho do prédio, assim como cenas internas, que mostram o quanto todo aquele potencial está apodrecendo com o tempo. É um paraíso para operários de todo o tipo, que sabem que ganhariam uma nota para reformar o local e ele será reformado e reativado, por trabalhadores que se comprometerem a trabalhar bem e rápido. No post anterior, eu falei de um filme super simples sobre um assunto complexo. Session 9 é um filme de difícil entendimento sobre um assunto bem simples. O hospital enorme é descrito como uma mini cidade, que tinha até pista de boliche e cinema, para ajudar a tratar muita, muita gente em diversos estágios de problemas mentais. Estatisticamente é impossível que todos os paciente tenham nascido com deficiência, alguns tinham passado por traumas que necessitavam de ajuda profissional, outros simplesmente sofriam com as pressões do dia a dia, que por serem problemas tão comuns, não eram considerados sérios até que fosse tarde demais. session9_1Session 9 não nos diz logo de cara, prefere nos mostrar que loucura é algo que pode acontecer com qualquer um, por qualquer motivo. Temos personagens considerados normais mas com todo o potencial para se tornarem pacientes no local. Fobias, arrependimentos, traições e exaustão são discretamente mostrados como estopins em homens sem nenhum histórico de comportamento violento, mas que usam violência quando certos estímulos psicológicos são ativados. É uma experiência que nos mostra que o perigo mora dentro de todos nós, mas para fazer com que o público participasse do teste de nervos, era preciso um truque. Não é um filme de terror, mas engana como um. Sem aparições, sem assombrações, somente algumas histórias macabras, verdadeiras ou falsas e o impacto subestimado de uma cadeira de rodas estacionada no final de um longo corredor escuro. Medo é uma droga poderosa e é com ele que o filme nos suga para dentro. Antes da limpeza habitual, a limpeza pesada deverá ser feita para remover do prédio o que está acumulado após décadas de descuido. De um modo seguro, a equipe de Gordon termina os reparos em três semanas. Ele é o chefe, Phil é o seu braço direito, Mike é o cara que largou a faculdade, Hank é o que roubou a namorada de Phil e o mais novo membro do grupo é Jeff, o sobrinho cabeça-de-vento de Gordon. Todos precisam de dinheiro e três semanas é muito tempo para o responsável pelo prédio, então para não perder a oportunidade para outra equipe, Gordon quebra a própria regra e oferece seus serviços por duas semanas. Com a possibilidade de um bônus pela rapidez do trabalho, ele entra em desespero e determina que tudo acabe em uma semana. A equipe resmunga, porque vai ser uma maratona de cão, mas concorda. session9_2Com a pressão do tempo em cima dos operários, eu esperava ver pelo menos uma montagem, daquelas que mostram o trabalho evoluindo com a participação de todos. No estilo treino do Rocky Balboa. Máquinas são operadas, lixo é removido, mas não com tanto empenho quanto o bônus exige. Eles trabalham separados e o foco do filme é a interação entre os trabalhadores. Tem mais cenas de pausa para o almoço de que de serviço sendo feito. Um lugar como aquele também é cheio de distrações e não demora muito para que alguns membros da equipe encontrem motivos para permanecer ou voltar para o local após o expediente. Dentro do hospital, Hank acha um plano B em forma de dinheiro fácil que ele procurava sem sucesso nas raspadinhas há muito tempo. Mike, o intelectual, encontra nove fitas com as sessões de terapia de Mary Hobbes, uma ex-paciente do hospital com múltiplas personalidades e um passado misterioso. Os relatos das fitas são tão fascinantes que no meio de uma crise, na verdade a maior crise do filme, Mike larga tudo e se enfia em um dos quartos para ouvir o que Mary, ou qualquer um dos alter-egos dela tem a dizer. Gordon, que virou pai recentemente apesar da idade avançada, vive cansado e nervoso. Mesmo que o filme fosse sobre o trabalho, todo mundo está ocupado demais para trabalhar. Session 9 tem uma interpretação diferente dependendo de quem o assiste, o que é apropriado para a história que conta. O prédio pode ter uma força maligna… todos os homens podem ser pedaços da personalidade de apenas um deles… quem pode saber? O que fazemos com as informações que vemos é problema nosso. O que os trabalhadores fazem com o que encontram é problema deles. Por conta do dinheiro, Hank desaparece. Após ouvir as fitas, Mike decide voltar para a faculdade. Sem dormir, Gordon começa a ouvir vozes. Sem liderança, Phil trai como foi traído. Simon é a personalidade de Mary que só aparece na nona fita, para esclarecer que surge apenas nos momentos de desespero. O trabalho é simples, o problema é simples, mas sem tratamento, nada mais no filme importa. Nem a amizade, a confiança, o plano B ou o bônus no final da semana.

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