Dirigido por Frank Darabont
Dirigido por Frank Darabont

Uma tempestade avança sobre uma pequena cidade, trazendo caos e morte.

Sabe quando você está assistindo a um filme de terror, sobre uma coisa inexplicável que vai matando todo mundo? Só não mata aquele pequeno grupo de pessoas que tem mais destaque no filme, que sobrevive porque prova o seu valor e porque consegue descobrir o que está realmente acontecendo. Pois é, O Nevoeiro não é esse tipo de filme. A história não é sobre aqueles que passam pela primeira fase do apocalipse e se tornam mais sábios, é sobre as pessoas na linha de frente, sobre os primeiros atingidos.

Quem acompanha The Walking Dead irá reconhecer alguns rostos no elenco. O diretor Frank Darabont, é o responsável pela transição dos quadrinhos para a televisão e levou para a série alguns dos amigos que fez no filme. Outra amizade de longa data é o escritor Stephen King, autor do conto O Nevoeiro e de outros sucessos que emplacaram a carreira do diretor, como Um Sonho de Liberdade e À Espera de Um Milagre. Ao contrário dos filmes anteriores, este não foi bem recebido pelo público, que considerou aquele finalzinho surpresa (modificado do livro com a bênção de King) uma piada cruel e desnecessária. Eu gostei, fez mais sentido para mim do que o final original.

David está com a família em casa uma noite quando a tempestade se aproxima. Ele é um artista, que trabalha pintando pôsteres de filmes. Na manhã seguinte, seu trabalho está destruído, assim como o carro do vizinho e os suprimentos que estavam nas dispensas de ambos. Com sinais de que o tempo não vai melhorar, David faz uma pequena viagem com o vizinho e o filho até o mercado local, onde percebe que eles não foram os únicos da cidade a pensar em compras preventivas.

The MistOs telefones estão mudos, as estações de rádio estão fora do ar e não há energia elétrica. Sem nenhuma informação concreta, só eventos que podem ou não estar conectados, os moradores começam a especular. Como o lugar é pacato, a movimentação dos militares nas ruas chega a entreter e é divertido reclamar em conjunto, sobre a falta de estrutura da cidade para situações de emergência. A diversão termina quando um homem entra apavorado e ensanguentado no mercado, dizendo que algo acabou de matar o seu amigo, algo saindo do nevoeiro que se aproximava da cidade inocentemente até então. Sem uma figura de autoridade para tomar decisões e apenas com a palavra de um morador histérico, dezenas de pessoas ficam cercadas de comida, neblina e incertezas, apenas com a fachada de vidro da loja para protegê-las do que vem de fora.

Existe uma razão para que filmes apocalipticos tenham sempre um grupo pequeno de sobreviventes. Gente demais só atrapalha. É claro que quando o desafio é fazer a história andar, em um filme sobre confinamento, quanto mais personagens, melhor. A briga de egos é tão grande, que o perigo chega a ser praticamente o mesmo, dentro ou fora do mercado. Em poucas horas, a primeira morte acontece e o local se transforma em uma mini-cidade, com uma assembléia, briga de classes e uma igreja.

The Mist 2Não existem dúvidas de que a névoa esconde seres com sede de sangue. São uns bichos como insetos só que gigantes, que podem significar um projeto científico mal-sucedido, uma invasão alienígena ou uma praga divina. Esta falta de conclusão não importaria tanto em um filme com quatro ou cinco coitados. Eles se apoiariam, agiriam com respeito e com praticidade, mas com muita gente a história é outra. Descobrir a origem do problema, não é uma urgência para a maioria das pessoas naquele mercado, mas o tempo vai passando, tragédias tiram mais vidas e explicações absurdas começam a fazer sentido, pelo simples fato de que pelo menos, substituem a falta de respostas. Os donos da verdade acabam sendo aqueles que gritam mais alto, ou se mostram irredutíveis. Se dizem que indivíduos são inteligentes mas multidões são idiotas, o filme demonstra isso perfeitamente, quando a bagunça chega ao ponto em que só um sacrifício humano consegue acalmar o povo.

Um filme sobre os que não tinham chance para início de conversa, é bem interessante. Os personagens deste filme, são tão propositalmente dispensáveis que não lhes é permitido nenhum ato heróico, todas as ações são desesperadas, ou simplesmente estúpidas. A maioria das mortes acontece fora de cena, inclusive as últimas, que mostram o quanto o medo gera precipitação, até quando o número de pessoas é reduzido. Esta é a história que precede as outras histórias que costumamos assistir. O conto dos sem sorte, com personagens que seriam apenas parte das estatísticas, em filmes com gente mais corajosa.

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