Dirigido por Bobcat Goldthwait
Dirigido por Bobcat Goldthwait

Um casal viaja até uma famosa floresta americana, para realizar um documentário sobre o Pé Grande.

Tem sido um sonho de Jim desde que ele era criança, desde que viu aquele famoso vídeo  de Patterson-Gimlin, que inaugurou por acidente o estilo found footage de filmagem, com a câmera na mão, chacoalhando por alguns segundos, até que o cinegrafista se acalme e mostre aquela figura gigante com traços de primata, mas ereto como um humano. O vídeo é base para discussões sobre a existência da criatura desde os anos 60, quando foi feito e divulgado por dois exploradores. Muitos acreditam que a filmagem não passa de uma fraude, de uma tentativa de obter fama às custas da lenda criada por moradores locais e entre esses céticos está Kelly, que literalmente se enfiou nesta viagem para não perder o namorado.

Se a autenticidade do vídeo feito em 1967 é questionável, o diretor deste filme ganha pontos por colocar personagens interagindo com pessoas de verdade diante das câmeras. Um pseudo-documentário sobre uma bruxa que vive na floresta e sequestra crianças, é o suficiente para deixar o público apreensivo. Já com o Pé Grande, que é tão popular e fantasioso quanto a Fada do Dente, provocar medo é bem mais trabalhoso. Na busca por realismo no entanto, o filme peca por permitir que Jim e Kelly sejam amadores demais, sem uma técnica para mantê-los dentro de uma narrativa, fazendo com que o filme dentro do filme, seja potencialmente bagunçado na hora da edição.

willow-creekOs documentaristas são alertados sobre perigos na floresta mais de uma vez, mas também recebem informações e ajuda da população. Isso porque o plano inicial era acampar em um local próprio para esta atividade. A Bruxa de Blair se passava durante o inverno, em um bosque ressecado e acinzentado, perfeito para um filme de terror, mas a floresta de Willow Creek é belíssima e convidativa, o que nos faz pensar que as pessoas que desaparecem na cidade o tempo inteiro, de acordo com os entrevistados, são simplesmente descuidadas, já que um local tão bonito não poderia esconder nenhum problema. Acontece que Jim e Kelly não se limitam ao plano inicial, entrando na floresta sem realmente saber como sair. As vítimas da bruxa pelo menos tinham uma desculpa sobrenatural para ficarem perdidas. Quase quinze anos depois, as vítimas do gigante peludo não atraem tanta simpatia pela falta de preparo.

Com todas as falhas de Willow Creek, existe uma cena muito especial que faz o filme inteiro valer a pena. O que casal não passa dias na floresta, porque o primeiro contato com a criatura, acontece na primeira noite e é tão intenso, que a gente sabe que eles não sobreviveriam a outra noite similar. A cena dura cerca de vinte minutos. A câmera está parada dentro da barraca, gravando os namorados acordados no meio da madrugada. Do lado de fora, os sons de algo não humano, que tenta um contato físico com os dois, não como uma figura amiga, mas como um predador. É uma cena muito longa, mas não desejamos que ela termine por ser chata, mas por ser uma eficiente e quase insuportável cena de tortura.

willow-creek 2Sendo que não existe um consenso sobre o bicho, mesmo porque, o bicho foi inventado, o diretor estava livre para criar um padrão de comportamento, uma personalidade, e foi exatamente isso o que ele fez. De agora em diante, este filme será a referência para qualquer outro sobre o mesmo tema. Nenhum momento em que “nada acontece” me incomodou, também não me incomodou não ver o vilão do filme, na verdade, essa omissão é melhor do que qualquer ator vestido em uma roupa de macaco. O que me incomoda é que Willow Creek é familiar demais e não consegue fugir da influência de Blair Witch nem nos seus melhores momentos. A história tem os seus méritos, mas eles não são exclusivos.

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