Dirigido por Banjong Pisanthanakun e Parkpoom Wongpoom
Dirigido por Banjong Pisanthanakun e Parkpoom Wongpoom

Durante um trabalho, um fotógrafo registra imagens do que ele acredita ser um espírito.

O filme é Tailandês, mas pega emprestado elementos dos filmes de terror japoneses, como fantasmas super-poderosos e mais cabelo em cena do que o chão de um salão de beleza. Influências de Sadako, a cabeluda original. Um hábito que eu gosto do cinema asiático (e eu não sou a responsável pela criação desta categoria, os próprios asiáticos são, com tantas semelhanças), é a aceitação imediata de que um problema pode ser sobrenatural. Conselhos sobre a solução podem vir de qualquer pessoa nestes filmes, porque todos são especialistas. Eu gosto ainda mais, quando os entendedores têm conhecimento sobre o outro lado da vida, mas ignoram que os sintomas que causam perturbações do lado de lá, foram originados do lado de cá.

Tun é um fotógrafo que vive bem com a noiva Jane. Uma noite, voltando bêbados de uma festa de casamento, eles atropelam uma garota em uma estrada e fogem sem prestar socorro. Jane, que estava no volante, sofre com pesadelos e o casal entra em crise, principalmente pela facilidade de Tun em lidar com o acontecimento. O rapaz não se abalou, só que está sendo forçado a se importar, não pela noiva, mas por um problema sério em seu trabalho. Muitas das fotos que ele tira profissionalmente estão apresentando defeito. Uma mancha branca, inexplicável e em alguns casos, uma sombra parecida com um rosto, que não lembra nenhuma outra pessoa na foto. É o ganha-pão do cara, não dá para ignorar.

shutter1Espíritos tem um ritmo bem acelerado. Em menos de meia hora, temos um casamento, um acidente, briga, reconciliação, uma aparição imaginária, uma verdadeira e principalmente a construção e a destruição de um mito. É possível que Tun esteja registrando fantasmas com a câmera dele, mas que ninguém ouse afirmar isto com absoluta certeza neste filme, não na era do photoshop. É um cuidado importante, se você deseja respeitar uma parte do público que não se impressiona facilmente.

Eu temo e ao mesmo tempo adoro quando um fantasma se manifesta e o personagem vivo na cena demora para notar. É ainda mais assustador se até a gente demora para vê-lo, porque acontece sem preparação e sem música de suspense. O filme é cheio daqueles sustos repentinos, cansativos e sem propósito, então uma cena mais exigente com o público é sempre bem vinda. Outra coisa que a gente nota, mas não liga, porque o progresso da história não permite, são as pistas que indicam o motivo da assombração. De acordo com o relatório oficial da polícia rodoviária, a única vítima do acidente daquela noite, é uma placa de sinalização. Ninguém morreu ou ao menos se machucou, então quem é aquela aparição insistente e o que ela quer?

shutter2Apesar de fantasmas em fotos ser o tema principal do filme, desempenhando um papel importante desde o início e completamente indispensável nas cenas finais, Tun tem problemas mais palpáveis com os quais se preocupar. Os membros da turma de amigos mais próxima e antiga dele, estão se suicidando e quem quer que seja a estranha das fotos, ela deciciu deixar o mundo bidimensional, para se aventurar ao lado de Tun com assustadores contatos visuais e físicos.

Não é uma assombração aleatória, daquelas que poderiam ter vindo com a casa, ou no caso, com a câmera. Existe uma razão para Tun ser o alvo e existe uma razão para ele ser um sobrevivente entre os amigos. Ele reagiu ao acidente com naturalidade, porque tem experiência em superar o sentimento de culpa. Apesar de que, o espírito que o assombra não está interessado em vingança, ela quer algo muito pior. Este filme eu evitei escrever a respeito o máximo que eu pude, porque eu não queria ver de novo. Me deu medo de verdade, como um terror asiático de qualidade deveria.

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