Dirigido por Matthew Kohnen
Dirigido por Matthew Kohnen

Um vírus transforma humanos em zumbis, mas só por fora.

É muito raro, por incrível que pareça, vermos o paciente zero em um filme de zumbis. Ainda mais raro, é uma contaminação sem violência. Mas o que faz de Wasting Away um filme único, é a forma como ele explora todos os aspectos já familiares do universo zumbi,  justificando algumas das necessidades e fraquezas dos mortos-vivos. Eu digo algumas, porque o filme preferiu manter as personalidades dos seus protagonistas, esquecendo que zumbis tem apenas um objetivo… comer.

Parte do filme é em preto e branco e parte é colorida, mas não tem nada a ver com passagem de tempo. Trata-se de um engenhoso modo de diferenciar sob que visão a história está acontecendo. A experiência científica começa em um mundo sem cores, com uma fotografia pobre, que lembra séries de tv e não das melhores, exceto pelo líquido a ser testado no soldado azarado, destacado em verde no cenário em preto e branco. É outro recurso bem pensado, porque nos permite acompanhar a trajetória do líquido até os personagens principais. Aqueles que verão o mundo em cores, através dos seus olhos sem vida.

São quatro amigos, dois deles chegaram a ser um casal em outra época, os outros dois mantém um relacionamento platônico e trabalham no boliche onde eles estão. Um deles se prepara para uma entrevista de emprego, mas os outros não tem nada de interessante acontecendo em suas vidas. Em qualquer outro filme de zumbis, eles seriam os contaminados perfeitos, destinados a uma eliminação rápida e sem drama. Quando a transformação acontece aqui, pela primeira vez na história do gênero, torcemos pelo inimigo.

wasting_away1Quando eles começam a perceber que algo está errado, principalmente depois de sofrerem ferimentos que deveriam ser letais, mas não causam nem dor; o grupo tem uma idéia que está longe de ser real, mas ainda assim é genial. Eles encontram um mané no meio da rua, com uma barra de ferro atravessada no estômago, dizendo ser militar e ter informações privilegiadas. Não demora muito tempo, para eles associarem suas imunidades às habilidades de uma suposta nova raça de super-soldados. 

Através dos olhos dos zumbis, eles mesmos e outros zumbis ao redor continuam sendo pessoas normais. Bom, não exatamente normais, talvez um pouco mais tolerantes às agressões externas e com uma certa dificuldade para manejar objetos. Eles não são lentos! O resto das pessoas é que deve ter algum tipo de problema… falando e andando três vezes mais rápido do que o normal, apontando armas e atacando eles sem motivos. Naquelas cabecinhas em decomposição, faz sentido que os outros humanos é que estejam contaminados por um vírus terrível, que precisa ser contido por eles, os “super-soldados”.

Ritmo é um grande problema. Não havia necessidade de se inspirar em projetos estudantis e alongar cenas curtas e chatas. Até cenas engraçadas, quando esticadas, ficam chatas. Depois de algum tempo, percebe-se que a piada é basicamente a mesma o tempo inteiro. Eles se enxergam cheios de vida, enquanto o resto do mundo os vê mortos.  É original, mas não tão engraçado assim.

wasting away2O filme não tem muita história, mas não podemos nos esquecer de que estamos acompanhando a jornada dos zumbis, algo sem precedentes e estes seres não tem muitos objetivos. O mais próximo que eles chegam de um rumo, é tentar descobrir o que está realmente acontecendo, ou pelo menos, descobrir o que começou o surto, com alguns desvios pelo caminho, para atender àquela entrevista de emprego e participar de um campeonato de boliche.

Com todas as baboseiras e inconsistências, o filme tem sucesso com o seu maior propósito. A gente sabe que os zumbis não tem futuro, mas eles são adoráveis e em nenhum momento a nossa simpatia está do lado de quem respira. Somos como crianças, cheios de esperança pelo nosso cachorro de estimação, já velho e moribundo. A gente sabe que os zumbis tem que morrer pra valer, mas seria bem legal, se eles pudessem ir viver felizes para sempre em alguma fazenda.

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