Dirigido por Antony Ferrante
Dirigido por Antony Ferrante

Uma tempestade sem precedentes se aproxima de Los Angeles, carregando mais do que vento e água para os moradores do litoral. 

O cinema norte-americano está repleto de parcerias de sucesso, como Alien versus Predador e todos os heróis em Os Vingadores. Em algum momento, em alguma mente adolescente, surgiu a idéia de combinar dois campeões das bilheterias, como Twister e Tubarão, com a esperança de que dois desastres, mesmo ignorando o bom senso, tivessem duas vezes mais sucesso. Em algum momento, na mente de algum produtor, esta idéia adolescente, infantil na verdade, fez sentido e Sharknado recebeu financiamento.

O filme é muito divertido. Sem nenhum respeito pelas leis da física ou da biologia. Cheio de erros de continuidade e atuações amadoras. Uma odisséia para personagens sem noção mas com muita sorte. Um épico fantasioso, em busca de um público inocente, mas exposto à análise daqueles que não possuem misericórdia. Uma perda de tempo, um erro, que não cai no tédio mesmo sem credibilidade, mesmo que claramente, tudo seja de mentirinha.

Uma catástrofe se aproxima das praias superlotadas da Califórnia. Tornados são tão incomuns por aqueles lados, que quando eles aparecem desfilando sobre as águas, tubarões de várias espécies se aglomeram confusos no oceano. O mais estranho, é que o fenômeno não reúne um número anormal de caranguejos, tartarugas ou sardinhas, apenas de tubarões, mas tudo bem. A tempestade empurra muitos deles para a parte rasa do mar, alertando algumas pessoas e massacrando outras. O único que parece imune é Fin, um surfista corajoso, que se preocupa em avisar os banhistas do perigo iminente, gritando de cima da sua prancha que ainda se encontra no mar.

sharknado_01Existe uma liberdade sem-vergonha de intercalar cenas do filme com imagens independentes, melhor produzidas, com outra iluminação e textura, provavelmente pertencentes a algum banco de imagens. Um orçamento modesto não significa um filme modesto. A história poderia se passar em uma cidade menor, poupando muitos problemas de produção e evitando estas soluções criativas, mas Sharknado é ambicioso, só não é competente.

Fin não vive de surf, ele possui um bar na praia, onde criou laços com outro surfista, com um bêbado rico e com uma de suas funcionárias. Sua cabeça de vento, no entanto, está ocupada por preocupações com a ex-mulher e com os dois filhos. O meu insulto, vem do fato de que apesar de Fin ser um sujeito heróico por todo o filme, suas decisões só não são um desastre, porque ele é o personagem principal e precisa sobreviver. O objetivo do surfista, após o mar invadir a praia, trazendo mais tubarões e inundando as ruas próximas, é chegar na casa da ex, que aparentemente não tem televisão, ou rádio e não acredita em Fin quando ele afirma que a situação ficará ainda pior.

Eu posso afirmar com certeza, que nenhum tubarão foi ferido durante as filmagens, porque nenhum foi realmente usado. A produção é do canal a cabo SyFy, então eu já esperava tubarões falsos, efeitos meia-boca e muito chroma key, só não esperava que os bichos agissem de um modo tão distante da própria natureza. Eles se jogam nos topos dos carros, sobem em cordas e aguentam ficar fora da água por um tempo surreal. 

Sharknado - 2013Um ponto positivo é que tanto em Tubarão quanto em Twister, os personagens perseguiam o perigo, mas em Sharknado eles fogem e não adianta. Os níveis de água continuam subindo e os tubarões invadem toda a cidade, criando uma categoria de perseguição inédita e muito tensa. Outro aspecto que aumenta a nossa tolerância, é que o filme não é nem um pouco ecológico. Sem debates, os animais são cortados ao meio, levam tiros e porrada. Se a invasão está acontecendo no nosso habitat, o Greenpeace vai ter que engolir.

Se afastando cada vez mais do litoral, Fin, com sua família emprestada, sai em busca da família de verdade. Para mostrar para todo mundo, o quanto ele merece viver, Fin resolve ajudar todo mundo que cruza o seu caminho. O perigo e o atraso que isso provoca, não são exatamente culpa do surfista. O filme se certifica de que bombeiros, policiais, forças armadas e outras equipes de resgate não existam, até que o salvamento se conclua. A burrice dos refugiados e do filme é irritante, mas não tira o nosso interesse. Não só porque os familiares de Fin não estão todos no mesmo lugar, aguardando a sua chegada, mas porque mesmo fugindo da água, o grupo ainda precisa lidar com os tornados, que avançam sem restrições para as partes mais altas da cidade.

Um furacão destroi o letreiro de Hollywood e um tubarão voador acaba com a calçada da fama, então a indústria cinematográfica pode ficar livre para desrespeitar este filme. Não que alguém precisasse do aval de ninguém, já que Sharknado é muito mal feito. Ideal para ser exibido em festas e apreciado em toda a sua idiotice, por grupos de amigos em busca de nada além de diversão.

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