Dirigido por Francis Ford Coppola
Dirigido por Francis Ford Coppola

A velha história, contada por um velho diretor, usando truques cinematográficos antigos, mas com muita originalidade.

 

 

 

 

De todas as versões de Drácula, o personagem que representa a origem de uma raça de sucesso no cinema, esta é a mais bela, visualmente. Francis Ford Coppola, usou uma das mais famosas histórias de terror, para resgatar o velho estilo de provocar medo. Paisagens artificiais, grosseiramente pintadas, justaposição de imagens e stop motion, servindo a  uma leitura mais ousada.

Drácula, ou Conde Vlad da Órdem Sagrada do Dragão, é introduzido como uma alma castigada, com quem qualquer um que sofreu uma perda, pode se identificar. É uma apresentação bem curta, mas funciona, porque além de ser lindamente fotografada, a interpretação de Gary Oldman é muito mais humana do que o papel sempre foi, nas mãos de outros atores.

Não é um pacto, é uma renúncia a tudo o que for divino, que leva o antes devoto cavaleiro cristão, à condição de morto-vivo dependente de sangue. No século XV, uma guerra santa deu fama ao conde, que lutava por um Deus que havia lhe dado tudo, só para lhe tirar o mais importante, no final da batalha. Se sentido traído, ele decide não morrer nunca, independente das consequências que isto traga ao seu espírito. Sem a proteção do Todo-Poderoso, só resta esperar, pelo retorno da sua amada, que se matou, acreditando que o marido havia morrido em combate.

bram-stoker-dracula2Quatrocentos anos depois, um casal monótono está se despedindo na Inglaterra. O noivo, um advogado, irá para a Transilvânia a trabalho, pois um senhor muito rico precisa de ajuda, para comprar uma propriedade na terra da rainha. Ele deixa pra trás uma jovem, cujos traços físicos são identicos aos de uma certa suicida de alguns séculos atrás. Vai ter encrenca!

No filme, existem duas versões do vampiro principal. Uma, recebe o advogado em seu castelo, com a aparência de um homem frágil e envelhecido. Este dá a impressão de se mover lentamente, mas a sua sombra, que tem dificuldades em acompanhá-lo, entrega a sua verdadeira agilidade. Não sabemos ao certo, qual seria o destino do jovem advogado, após o encerramento dos negócios, mas ele vira um assunto delicado, assim que o conde encontra a foto da noiva dele entre seus pertences.

A outra versão não é tão fascinante quanto a primeira, mas é puro charme. Vlad aparece mais jovem e sedutor, para reencontrar o grande amor de sua vida, agora na pele da professora Mina. Os dois visuais do vampiro são excêntricos, mas muito diferentes um do outro, para servir a diferentes propósitos. Só posso concluir que aparência é, como tudo na existência do conde, uma questão de escolha.

bram-stoker-draculaO diretor teve o cuidado de não exagerar nos efeitos especiais. São muitos deles, mas poucos que não pudessem ser reproduzidos décadas antes, com menos recursos. O que não poderia ser feito antigamente, é a descarada erotização da história. Mas Coppola tinha que deixar bem claro, que este é um filme atual, apesar das homenagens ao estilo antigo, até na direção de arte.

Esta pode também ser a adaptação mais romântica de Drácula, mas mesmo depois de séculos, Vlad continua tão cruel quanto era na época das cruzadas. Sua natureza destruidora, o coloca cara a cara com um lendário inimigo, Van Helsing. Um médico brilhante, que auxilia os mais céticos, no combate ao sangue-suga e a sua “família”. O vampiro poderia ter ficado quieto, adorando apenas a mulher que esperou tanto tempo para reencontrar, mas não teve escolha. Por ela, ele teria deixado tudo para trás, mas ele teme que para ela, ele é apenas uma recaída antes do casamento. Como uma despedida de solteira.

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