Dirigido por Gary Sherman
Dirigido por Gary Sherman

Alguns moradores de uma cidade do interior, descobrem que não podem enterrar os seus problemas.

 

 

 

 

Imagine se o nosso desejo se tornasse realidade? Não estou falando de dinheiro, ou um corpo perfeito, porque estas são aspirações individuais. Estou falando do desejo coletivo de viver em paz, sem se preocupar com ladrões, assassinos ou estupradores. Este filme não se passa em uma realidade alternativa, ou uma projeção otimista do futuro, onde as pessoas perderam a personalidade em prol do bem comum. Na verdade, nem todos naquela cidadezinha, sabem o que está acontecendo.

A placa que sinaliza a entrada da cidade, diz: Potters Bluff – Um novo jeito de viver. É uma excelente descrição para este lugar tranquilo, onde nada acontece. Os moradores gostam desta inércia, tanto é que, quando um visitante aparece, o incômodo é insuportável.

Começa com uma onda de acidentes fatais, com corpos desfigurados e sem possibilidade de identificação. Como a população local não diminui, presume-se que as vítimas estivessem de passagem pela cidade. O Xerife Dan, desconfiado até o útlimo fio de cabelo, está encarregado de resolver o mistério do recente boom funerário, mas não pra nós, pra ele mesmo, porque a gente já sabe o que está acontecendo.

MSDDEAN EC007O diretor do filme, passa um bom tempo nos mostrando o quanto essas vítimas são inofensivas. Um fotógrafo sem-vergonha, um bêbado vagabundo, uma família… peraí, uma família? Sim, pai, mãe e filho, simplesmente perdidos, passando pela cidade sem incomodar ninguém. Não é exatamente uma limpeza social o que motiva estas pessoas, mas lá está grande parte dos residentes, com a preocupação bizarra de tirar fotos, antes de causar danos ao rosto do pobre coitado que irão matar.

Dead and Buried, tem ganchos muito bons. Primeiro, porque assistimos ao filme sem saber ao certo, o que uniu tantos moradores de um lugar aparentemente pacífico, para uma atividade tão grotesca. Segundo porque, nossa curiosidade exige mais e o roteiro providencia, quando queremos descobrir qual é a extensão do problema, ou seja, em quem o Xerife Dan pode confiar. Terceiro, porque é uma história assustadora, mas o terror ainda nem começou.

Uma das vítimas, não morre imediatamente, mas é “finalizada” no hospital alguns dias depois. Lá se vai a teoria de acidente. Dan já tinha as suas dúvidas, mas os eventos ficam ainda mais bizarros, quando o morto é visto novamente na cidade. Não como um zumbi, mas como um membro participante da comunidade, trabalhando e vivendo como se nada tivesse acontecido.

dead and buried2Outros mortos se levantam, mas sem bagunça. É uma história bastante incomum. No final das contas, foi uma boa idéia, dar tanto tempo em cena às vítimas, ou não as reconheceríamos entre os cidadãos. Eles não querem comer o cérebro de ninguém, nem mesmo atormentar seus assassinos. Outro gancho; se não querem vingança, o que estão fazendo de pé?

Não é o filme mais consistente, parecendo às vezes, uma junção de vários episódios de Além da Imaginação. Mas é muito interessante e passa com competência, uma sensação de medo e insegurança. É também um filme inspirador, já que o emaranhado de idéias apresentadas nele, seriam emprestadas e desenvolvidas em outros trabalhos, como “A Morte Lhe Cai Bem”, a comédia sobre duas mortas-vivas em Hollywood, que precisavam do auxílio de um legista, para permanecerem apresentáveis.

Uma menção especial a um ator coadjuvante, que alguns anos mais tarde, viraria o senhor dos pesadelos de uma geração inteira de jovens. Aqui, ele é apenas um cidadão, participando de atividades comunitárias nada nobres. Mas acabamos descobrindo, como Dan descobre de forma trágica, que o desejo coletivo não tem nada a ver com as matanças. O motivo é tão individual quanto dinheiro no banco, ou um corpo perfeito.

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