Dirigido por Dario Argento
Dirigido por Dario Argento

Um músico britânico testemunha um assassinato em Roma. Mesmo com o risco de se tornar a próxima vítima, ele decide investigar a morte, com a ajuda de uma repórter.

 

 

 

 

Os créditos iniciais são interrompidos por um prelúdio, que mostra o passado do assassino. Será que é daí que vem o horroroso título do filme em português? Não sei, mas naquela cena começa uma história de mistério, que se desenrola ao gosto e no tempo que Dario Argento quer. Essa escolha deixa o filme um pouco confuso, difícil de ser acompanhado quando assistido pela primeira vez, mas também é uma das coisas que fazem dele muito mais do que um simples slasher.

Nas belíssimas ruas de Roma, Mark, um pianista com memória fotográfica e Gianna, uma jornalista, doida para que ele seja seu namorado, estão atrás de um psicopata, cuja fragilidade não combina com as exigências físicas das matanças. O alcoólatra Carlo, outro pianista e grande amigo de Mark, poderia transformar a dupla em um trio investigativo, se não fosse um tipo tão autodestrutivo.

Em um belo teatro vermelho, cor pela qual o diretor parece ser obcecado, uma médium demonstra seus poderes para uma platéia fascinada. A palestra, assim como o restante do filme, oscila entre inglês e italiano. É bizarro e Argento está ciente. Ele até brinca, quando um membro da audiência busca uma explicação para o SAP ao vivo, duvidando da qualidade do próprio aparelho de surdez.

Sem muita delicadeza, a vidente revela a todos que existe um assassino entre eles, mas o seu maior erro, foi dizer que sua sensibilidade não a faz enxergar o futuro, encorajando o sujeito em questão a lhe preparar uma surpresa.

deep-redMedo é mencionado, mas ele parece não existir para os personagens. A maioria é caricata e todos falam e agem como se suas ações não tivessem consequências. Alguns cenários são tão bem compostos, que lembram pinturas, um deles, propositalmente. Mulheres são mais fortes do que homens e objetos se movem sozinhos. O que estamos assistindo, pode não ser nada além de um sonho.

O assassino parece ter superpoderes, mas não perdemos o respeito por ele. De onde vem tanta força? Onde ele consegue tanta informação? Como alguém poderia escapar, em um filme normal de suspense, de um vilão sobrenatural? As mortes não são apenas violentas, são dolorosas e sentimos cada segundo delas. As vítimas morrem em casa, sendo ou não, um perigo imediato para o serial killer. Torturadas por um tempo, pelos artifícios do assassino, mas finalmente mortas por algo familiar, como em um bizarro acidente doméstico.

Quando a médium é assassinada em frente à janela, seu vizinho Mark é a única testemunha. Ele também vê o assassino, mas percorre a cidade inteira até se dar conta disso. A polícia está cuidando do caso, mas Mark conduz uma investigação paralela assim mesmo. Se enfiando sozinho em lugares perigosos, descobertos a partir de pistas absurdas.

O vilão pode ser sortudo, mas o mocinho também é. Ele é o alvo que deveria ser urgentemente eliminado, mas por alguma razão e por muito tempo, o assassino decide apenas privá-lo de informações, matando quem poderia ajudá-lo. Pode ser a compreensão, de que Mark é o sonhador, mas o psicopata, é apenas uma manifestação dentro do sonho.

deep-red-2Uma música de ninar, um desenho na parede e um corpo esquecido há muito tempo. Vestígios que um personagem tenta esconder e outro tenta esquecer, mas que Mark vai usar para desvendar o mistério do início do filme, com o auxílio de sua fiel e oferecida escudeira jornalista e com os eventuais estalos intuitivos de seu amigo pé de cana.

Prelúdio Para Matar foi feito com muito amor e assusta, mesmo quando estamos esperando que algo aconteça, até porque, o que acaba acontecendo nunca é o que a gente espera. O cuidado que o diretor tem pelo que faz, está estampado nos detalhes deste quebra-cabeças, feito para ser montado aos poucos, por gente com paciência. Os atores tem todo o respeito de Argento, que cola a câmera em seus narizes e estende seus tempos de cena, mesmo que eles não atuem tão bem. É um filme que você pode amar de cara, mas se isso não acontecer, é só assistí-lo novamente.

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