Dirigido por Henri-Georges Clouzot
Dirigido por Henri-Georges Clouzot

A esposa e a amante do diretor de uma escola, planejam e executam o seu assassinato.

 

 

 

 

 

Christina e Nicole são duas professoras do colégio interno Delassalle, na França. Michel é o diretor da escola que leva o seu nome. Um homem desprezível, que abusa das duas mulheres, uma sua esposa e a outra, sua amante. Ambas estão cientes uma da outra, já que Michel demonstra afeto e crueldade publicamente com as duas.

Les-Diaboliques2Hematomas constantes aproximaram as professoras que compartilham o mesmo cafajeste, mas elas não são as únicas a odiá-lo. Michel é o todo poderoso da escola, punindo injustamente os alunos e distribuindo grosserias pelo resto do corpo docente. Sua sádica personalidade, nos coloca ao lado das duas conspiradoras. Christina, com quem ele se casou por dinheiro, é sensível e medrosa. Sua cúmplice, a femme fatale Nicole, está decidida a colocar um fim no sofrimento de todos.

Nenhuma das duas é uma assassina e qualquer coisa pode dar errado, mas o ato foi meticulosamente planejado e apesar das dúvidas e do nervosismo da esposa, elas o cumprem. Nada muito violento, alguns álibis inocentes, um pouco de sedativo no whisky e uma banheira.

As diabólicas é um filme antigo, mas muito à frente de seu tempo. Por ser francês, não carrega o moralismo da Hollywood dos anos 50. O triângulo amoroso é um escândalo, mas não sofre nenhuma condenação. Os alunos são desbocados demais para a idade, mas não são tratados como anomalias, pelo contrário, permanecem vulneráveis aos olhos dos adultos. Um filme feito para um público moderno, que reservaria o julgamento, porque admite que se identifica com os personagens. A única coisa que poderia causar algum desconforto, é o assassinato, mas não abandonamos o time das criminosas, não só porque concordamos com a vingança, mas porque as mulheres precisam do nosso apoio, principalmente quando o corpo desaparece.

les diaboliquesVestígios do morto começam a aparecer em todos os lugares, enlouquecendo a dupla e confundindo o público. O terno na lavanderia, um corpo nú no rio e pessoas relatando aparições e conversas com o falecido. O que está acontecendo? Esposa e amante esperam algum tipo de chantagem, que nunca chega e já não confiam mais uma na outra.   Enquanto uma delas permanece forte e racional, a outra desaba.

São duas reviravoltas, uma, quando a piscina é esvaziada e o cadáver não está lá, a outra, lá no finalzinho, nos faz vasculhar a memória, procurando por cada detalhe do planejamento e da execução do crime. É uma surpresa e tanto, se você, ao contrário desta blogueira, não deu de cara com o remake da Sharon Stone por acidente, bem na hora da grande revelação.

Uma história de fantasmas, que fica por um bom tempo, apenas sugerindo algo sobrenatural. Sem estabelecer um padrão para as assombrações, não sabemos quando ou como elas vão acontecer, só sabemos que é inevitável. O suspense é de matar e nos resta somente esperar, torcendo para que o frágil coração da esposa aguente.

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