Dirigido por Tomas Alfredson
Dirigido por Tomas Alfredson

Oskar é um menino solitário que sofre nas mãos dos colegas da escola, até que conhece Eli, uma menina recém-chegada na vizinhança, com estranhos hábitos alimentares e que só aparece na rua de noite.

 

 

 

 

Eli tem problemas de estômago, portanto tem que estar atenta ao que ingere. Ela também não pode sair de casa durante o dia. Um adulto distraído a consideraria uma criança doente. Mas Oskar tem aparentemente a mesma idade que ela, não tem amigos nem a família mais atenciosa do mundo. Ele a vê pelo que ela é, uma vampira.

Enquanto ele é uma vítima, a amizade entre os dois é vista como algo saudável. Quando temos uma amostra do que ele pode se tornar nas mãos de Eli, esta colaboração se torna sinistra.

Let the right one in 1A aparência dela é humana, feminina e infantil, mas ela não é nenhuma dessas coisas. Seu fiel auxiliar, um senhor de meia idade bastante discreto, é a prova de que ela pode sugar mais do que sangue. Ele é o seu guardião durante o dia, e aquele que se dispõe a adquirir alimento para ambos, mesmo contando com as habilidades de alguém com a força e a rapidez de Eli.

Oskar parece ser a primeira pessoa com quem Eli interage em muito tempo. Mesmo sendo mais velha, ela pode ter se identificado com a vida solitária do garoto. Ela também pode ter uma grande habilidade para localizar futuros comparsas, se pensarmos em Oskar como um sociopata em desenvolvimento. Ele até tenta escapar da sua influência, até que percebe que não tem para onde correr. Mas seria injusto dizer que ela é a única a ganhar com as relações que forma. Oskar não é um menino completamente inocente, e o protetor de Eli é claramente um maníaco. O filme começa e termina com dois predadores. Um deles não tem escolha, o outro envelhece. Seria a eterna adolescente uma desculpa para a violência de seus acompanhantes?

Sem exageros, este é um dos melhores filmes sobre vampiros que eu já vi. Sob a influência dos vampiros de Anne Rice, algumas regras são ignoradas como alho, estacas e água benta. Mas não fica claro se Eli é imune à essas armas, pois elas simplesmente não aparecem no filme. Outras regras são reforçadas com bastante confiança, como o fato de vampiros precisarem de convite pra entrar na casa de alguém.

Let the right one in 2A cena do massacre na piscina diz muito sobre a relação entre os protagonistas, como um cão de ataque e o seu dono. É uma cena muito bem feita. Uma referência para qualquer filme de terror sério daqui pra frente. Assustadora mesmo não mostrando quase nada. Para Eli não existe misericórdia em relação à comida, mas Oskar deveria estar apavorado. É uma existência perturbadora, como percebe uma das vítimas de Eli ao se deixar levar pela luz do sol. Mas Oskar tem outra perspectiva, enquanto viver ao lado de Eli, jamais será importunado novamente.

Deixe ela entrar levanta uma questão que tinha sido abordada levemente em Entrevista com o Vampiro. Essas criaturas não fazem sexo. Neste filme elas são assexuadas. Vampiros são corpos reanimados que dependem de “sangue novo” para se manterem. Sua espécie não requer continuação, pois não tem fim. Eles não precisam se reproduzir. Sem querer bancar a beata, digo que não existe propósito para sexo no mundo deles…

Outra referência à Entrevista com Vampiro é a discrição nos efeitos especiais. O sobrenatural na vida real, como o nome mesmo diz, precisa ser encarado com choque, repulsa e medo. Se retratado de forma banal, perde o valor.

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