pet sematary
Dirigido por Mary Lambert

A família Creed se muda para a terra das maldições indígenas e dos caminhoneiros sem freio, nesta adaptação do clássico de Stephen King.

 

 

 

 

O Dr. Louis Creed sai com sua família de Chicago, para ser o novo médico na universidade de uma pequena cidade no Maine. Sua bela casa de campo está cercada por um problema e por sua consequência. Na frente, uma rua por onde só passam caminhões, dia e noite e sempre em alta velocidade. Nos fundos, um cemitério construído por causa das frequentes mortes de animais de estimação naquela estrada perigosa.

O cemitério é rústico e desordenado, como uma versão comunitária de covas cavadas em jardins por crianças. Até o nome do local está escrito errado. Mas a maldição está um pouco mais adiante, em um cemitério de difícil acesso construído por uma tribo indígena.

pet cemetary 2Antes que a necessidade apareça, o espirito de um ex-paciente avisa o médico, da maneira mais assustadora possivel, é claro, para não romper a barreira entre os vivos e os mortos. O terreno além do cemitério de animais é podre, ele diz. Mexer com o que não deve, trará consequências. Quem confirma a lenda é o amigável vizinho, assim que o gato da família morre.

Eu entendo qualquer pai que queira impedir o sofrimento dos filhos por causa da morte de um animal de estimação, mas substituí-lo por uma versão zumbi é bem pior. O filme tem alguns flashbacks com fotografia de filme para a tv, mostrando como é péssima a idéia de tentar reverter a morte. O que aquele vizinho tinha na cabeça, praticamente forçando o médico a enterrar o gato em um local que o traria de volta? Acho que mais vale um amigo morto, do que um sem noção.

Uma perda bem maior estava por vir, em uma cena que ainda surpreende, mesmo depois de tantos anos.  Esta é a hora perfeita para o vizinho revelar que zumbis não são a única maldição que o cemitério pode produzir. Mas a dor fala mais alto do que a razão e ninguém mais consegue descansar, vivo ou morto.

pet cemetary 1A característica de quem volta dos mortos não é a fome, como na maioria dos filmes de zumbis. Quem é enterrado no cemitério indígena, sai de lá o oposto do que era. Como ninguém gostaria de trazer um psicopata de volta a vida, não veremos nenhum Gandhi saindo daquele cemitério. Quando o mais doce dos personagens tem o sono eterno interrompido, nos deparamos com a versão humana de Chucky, ignorando o próprio tamanho e passando o bisturi em todo mundo.

Apesar de lidar com temas bastante pesados como doenças e mortes, o filme é super bem humorado. Em parte, pelos exageros e falta de pudor de muitos personagens, mas também pelo fato de que o bebê da família é o melhor ator do filme.

Cemitério maldito já seria sombrio o suficiente sem as histórias paralelas. Mas King é o roteirista e quis que o filme fosse fiel ao seu livro. Talvez fosse um trauma pós-Kubrick, mas deixou o filme um pouco carregado com fantasmas, diaristas suicidas e conflitos entre sogro e genro.

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