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Dirigido por Ty West

Nos últimos dias de um decadente hotel, dois funcionários decidem desvendar a lenda de uma possível morte no local.

 

 

 

 

 

Iremos testemunhar o último final de semana de funcionamento do Yankee Pedlar Inn. Com o dono de férias em uma praia, os funcionários Claire e Luke estão se revezando para atender os pouquíssimos clientes que ainda teimam em aparecer.

Luke, o cético, possui um website que explora o lado sobrenatural do hotel onde trabalha. Prestes a encarar o seguro desemprego, ele e Claire tem a autoimposta missão de coletar provas de atividade paranormal no local, já que isso garantiria o sucesso do site.

O filme é dividido em capítulos e extremamente parado. O tempo inteiro temos a impressão de que algo importante vai acontecer, mas não acontece. Seja por causa de uma trilha mal colocada ou por causa de cenas excessivamente demoradas. Mas eu estou disposta a acreditar que nada disso é um acidente. Escrito, dirigido e editado por Ty West, o bem humorado diretor de A Cabana do Inferno 2 e A Casa do Diabo, o filme brinca o tempo inteiro com o que esperaríamos de uma história sobre um hotel mal assombrado.

the innkeepersQuem não avançou o filme durante os créditos de abertura, certamente conferiu o fato de que o Hotel da Morte tem muita história. Mas nem eventuais demonstrações de saudosismo poderiam salvá-lo da falência. Grande parte do hotel já foi desativada, a maioria das mesas do restaurante não recebem nem uma toalha para cobri-las, somente os quartos do segundo andar ainda estão mobiliados. Os dois empregados nem se preocupam mais em providenciar um serviço decente aos hóspedes.

Claire tem asma e passa o tempo inteiro levando sustos. Mas geralmente eles são causados pelas brincadeiras idiotas de Luke. Quando o susto é legítimo a surpresa é bem maior do que poderia ser. E essa é uma sacada bem legal. O diretor já nos deu tantos alarmes falsos, que sabe o que estamos esperando, ou seja, nada.

O movimento é lento e não vemos mais do que dois hóspedes ao mesmo tempo. Quando um sai, outro chega. Os primeiros são uma dupla, mãe e filho que deixam o hotel após acidentalmente, mas constantemente serem atormentados por Luke e Claire. Eles são substituidos por um idoso que insiste em um quarto específico que já está fora de uso. O quarto no qual passou sua lua de mel. Sua persistência e sobriedade desmontam o espírito de superioridade dos dois funcionários e eles cedem. Quando o contato com uma famosa assombração se concretiza, ter uma hóspede médium é de enorme serventia. A terceira cliente, é uma ex-atriz e agora curandeira interpretada por uma envelhecida Kelly McGillis, de Top Gun. Armada com um pêndulo e muitas garrafinhas de vodka, ela informa Claire que as respostas que ela espera obter, nada tem a ver com o que o Yankee Pedlar Inn tem a contar. Os três hóspedes são como aparições vivas. Peculiares e excentricos.

Os dois empregados também tem os seus momentos. Se consideram especiais, mas mesmo com os dois pés praticamente na rua, não há nada realmente interessante acontecendo em suas vidas. Existe um breve e embriagado ensaio de declaração de amor por parte de um deles, que é interrompido por mais um artifício para tentar tornar a noite menos monótona e macabra.

the innkeepers2Depois de algumas consultas com a médium McGillis, Claire descobre que por alguma razão, está em perigo. Não se fala em ameaça direta, mas a curandeira já tinha deixado claro que as vezes, consegue prever o futuro. Um cadáver, um fantasma, curiosidade mórbida e uma asma, não dificultam a conclusão das previsões da médium.

No início do filme Luke mostra à Claire um daqueles vídeos feitos para dar susto, como uma espécie de pegadinha a ser aplicada em amigos e postadas no youtube. No final do filme, o diretor Ty West faz algo semelhante com quem assite o filme. Mas com uma notável diferença. Se você avançar o filme durante a cena final do quarto vazio em que aparentemente nada acontece, vai ver uma possível mensagem do diretor. Mesmo com tanto charlatanismo e chacota que cercam o mundo sobrenatural, nada impede que a coisa real possa existir.

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