HAPPY DEATH DAY
Dirigido por Christopher Landon

Uma jovem é assassinada todos os dias, no dia do aniversário.

Assim como são os trouxas para Harry Potter, ou os “noobs” para os gamers experientes, nós veteranos do terror, também precisamos de um termo para a porção do público que curte um terror, mas só se ele for bem light como este aqui. Em A Morte Te Dá Parabéns, a gente sabe que o assassino só vai atacar a garota durante um determinado horário e ele geralmente aparece em cena bem antes de entrar em ação, tranquilizando os cardíacos na platéia. Sabe também que a morte dela não exige envolvimento emocional, já que não é um acontecimento definitivo. Com pouco sangue e feito principalmente para divertir, o filme é inspirado em Feitiço do Tempo, com Bill Murray, só que o original de 93 não precisava de mortes para reiniciar o mesmo dia, e também fez um trabalho bem melhor de redenção do personagem principal.

Eu acredito que Phil, preso em uma cidade do interior cercada por uma tempestade de gelo, repetiu o Dia da Marmota algumas centenas de vezes até perder completamente o medo do ridículo, da morte e por consequência, da mudança de vida que finalmente traria o dia seguinte. Tree não tem a mesma oportunidade em termos de tempo para evoluir, já que cada assassinato deixa um resíduo maligno em sua saúde, fazendo com que ela precise acelerar o próprio trabalho investigativo. Mas mesmo que o amanhã para ela tenha mais ligação com a descoberta do vilão da história, do que com mudança de caráter, o filme perde uma oportunidade de tirar proveito da reprise, não usando a idéia para o que ela realmente serve, que é promover uma grande transformação. Talvez se a garota tivesse se esforçado para colocar um fim no trote abusivo da universidade, ao invés de somente colocar um travesseiro debaixo do calouro que desmaia por exaustão, eu teria curtido mais o filme, ou se não tivesse o clássico de Murray (tem alguma coisa errada com esse termo) tão vivo na minha memória…

HAPPY DEATH DAY 2

Com todos os defeitos, A Morte Te Dá Parabéns ainda entretém, com a história de uma universitária típica de fraternidade: superficial, rude e insensível, que precisa descobrir quem a quer morta. Você jamais vai conseguir que alguém ao redor dela admita isso, mas se ela morresse hoje, não seria uma grande perda para a humanidade. Tree acorda no dia do aniversário de ressaca, no quarto de um rapaz desconhecido e nem a forte dor de cabeça é capaz de segurá-la no local por mais do que alguns minutos. Penelope Charmosa, num simples dormitório, tá louco? No caminho para o próprio quarto, ela encontra toda a sequência de acontecimentos, que não vai ter problema nenhum em decorar depois de umas duas ou três tentativas. Ela ignora o pai no telefone, repudia o cupcake que a colega de quarto fez pra ela e passa o resto do dia sendo desagradável, até que um momento solitário atrai o maníaco mascarado, que não tinha outra vítima em mente a não ser ela. Tree não gosta de comemorar o aniversário, porque o dividia com a mãe que perdeu recentemente. Como a mãe morreu, não se sabe. Também são mistérios um nome tão hippie para uma garota vinda de uma família tão careta, e um bebê como mascote do time em um esporte tão viril. Deve ser pra deixar com um aspecto surreal a máscara que vemos várias vezes.

HAPPY DEATH DAY 1

O que sobram são suspeitos e o filme trabalha bem a nossa falta de atenção, jogando a culpa de um lado para outro o tempo todo. Eu adorei o que fizeram com a vinheta da Universal no começo do filme. Foi bem engenhoso também tirar a vantagem de prever o futuro que a garota adquire, com um assassino que pode se aproximar dela, vestido com o uniforme de assassino, sem que nem mesmo ela suspeite algumas vezes. Essa crítica foi parcialmente azeda, porque eu esperava mais do filme com uma ideia que sempre foi magnífica e cheia de possibilidades. Não precisava ser mais sangrento, mas poderia ser mais engraçado, por exemplo. Eu gostei dos atores, mas admito que cada vez que a principal contorcia o rosto fazendo um sorriso forçado, para expressar a superioridade de quem já sabe tudo o que está para acontecer, eu me lembrava da cara impagável de deboche do Bill Murray e morria por dentro um pouquinho. Mas tudo bem, eu me diverti. Vamos falar agora sobre um nome-apelido para o público amador do gênero. Eu estava pensando em uma junção de terror com turista. Pena que “terrorista” já esteja em uso.

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