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Dirigido por Ted Geoghegan

Uma velha casa em uma gélida cidade do interior, precisa acolher uma família diferente a cada 30 anos.

Eu comecei a assistir este filme (e eu não acredito que demorei tanto tempo, afinal, temos uma lista de melhores filmes de 2015 neste blog muito mal preenchida) por causa da curta duração, já que eu estava enrolando pra dormir. Quando o filme começa com planos longos onde nada acontece, eu imagino um diretor abusado, agindo como se estivesse enchendo linguiça em um filme sem muito pra dizer, o que não é o caso. Tem tanto terror e tanta coisa a ser explicada, que até os créditos finais foram usados para esclarecer partes da história. A medida em que o filme avança, a escolha por momentos de “observação cuidadosa do cenário” vai além da pretensão artística. O cara sabe que quando o público fica preso em uma cena calma de terror por muito tempo, existem apenas duas opções: procurar entre as coisas paradas por algo que possa estar se movendo, ou esperar em suspense que algo aconteça. Seja qual for a opção do público, o filme sai ganhando.

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O que também chama a atenção é que mesmo que não seja explícito ou claramente necessário, o filme se passa nos anos 70. A primeira dica é o corte de cabelo antiquado da atriz principal (e sim, você a conhece de algum lugar, é só pesquisar), em seguida são as roupas, os carros e os objetos de cena. Em um certo momento, é indispensável que celulares não existam, mas uma solução seria torná-los temporariamente indisponíveis, já que ser um filme de época agrega custos extras neste terror independente. Talvez o motivo seja a internet e todas as outras maravilhas modernas que usamos para obter informações e pedir ajuda, afinal os novos inquilinos não poderiam ter recursos para pesquisar a história da casa, ou jamais a comprariam. O que é inegável é que o look datado torna o filme um pouco mais esquisito e assustador do que seria sem ele. Eu enxergo nele uma pequena mas eficaz homenagem a O Iluminado.

Os novos moradores da casa monstro são Anne e Paul, um casal de meia-idade sofrendo com a perda do filho adolescente. Quando eles se mudam, Bobby está morto há apenas um mês, então é natural que pelo menos Anne, já que Paul é um homem cético, comece a sentir a presença do filho por causa da dor, do isolamento do local e da movimentação sobrenatural que ocorre na casa. A origem desses fenômenos não são um mistério para quem assiste, já que somos expostos a aparições de tirar o fôlego, mas Anne que não vê o que a gente vê, alimenta esperanças de que barulhos inexplicáveis e porta-retratos quebrados sejam Bobby tentando se comunicar. Anne convida um casal de amigos médiuns para visitá-los no campo, trazendo apoio e uma porrada de informações úteis, mas antes que eles cheguem, vizinhos aparecem na porta e não conseguem esconder o nervosismo ou a surpresa por não terem notado antes a estadia já bem longa dos novos moradores na casa.

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Enquanto o sangue não faz a primeira aparição, impera a atmosfera de um filme que quer causar impacto e ser lembrado. Parece realmente um filme antigo, único, do tipo que dita regras ao invés de seguí-las, só que infelizmente isso não acontece por todo o filme. Eu adoro o fato de que os protagonistas não são adolescentes. Quando dois jovens entram em cena e ficam a sós na casa, é que sentimos o quanto o ritmo de Ainda Estamos Aqui é diferente. Os diálogos, as reações, o comportamento e até o que o diretor considera necessário mostrar da relação para torná-la convincente para o público, são uma injeção de novidade no gênero. O problema do filme é cair na mesmice com ataques e mortes copiados de slashers preguiçosos, ignorando o trabalho de discrição feito até então e sem nenhuma coerência.

Eu não me importo com a falta de esclarecimento sobre muita coisa no filme, somente com os limites físicos e geográficos sendo extrapolados com violência e sem muita justificativa. O plot parece ter saído diretamente de uma sessão espírita verdadeira, como as sessões tão bem feitas no filme, com apenas porções da verdade e muito medo para ser completamente interpretada. Os mortos tem sua própria visão da verdade, se ela for unilateral e incompleta, os vivos terão que aceitar e nós também, já que não existem outras fontes confiáveis por perto. Eu gostei muito do filme, apesar dos problemas. Ele definitivamente entraria na lista dos filmes de 2015, talvez entre os últimos lugares, mas entraria.

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